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Enceramento diagnóstico, uma alternativa atual como fator de visualização tridimensional do caso clínico finalizado.

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O enceramento diagnóstico é uma reprodução em cera realizada sobre um modelo confeccionado em gesso e que tem como finalidade devolver a forma anatômica original das superfícies oclusais, vestibulares e linguais. Com isso são devolvidos os princípios oclusais determinados pelas curvas de Spee e Wilson, estabilidade oclusal, dimensão vertical de oclusão e guias anterior e de lateralidade que foram perdidas ou por desgastes ou por perda de algum elemento dentário 1,2,4,5.


 Além disso, é a maneira de se obter a visualização tridimensional e direta de casos clínicos que necessitam da devolução de padrões de uma oclusão considerada normal ou estável. Essa fase representa a parte mais criativa e interativa do tratamento, e o ensaio restaurador realizado nos modelos deve permitir a visualização do objetivo final do caso clínico 1,3.

Por isso, a previsibilidade e o sucesso do tratamento dependem de uma interação interdisciplinar entre os passos clínicos e os laboratoriais. Portanto, é fundamental uma perfeita comunicação entre a clínica e o laboratório de prótese, pois o resultado do enceramento ajudará o paciente a entender o que precisa ser feito em sua boca, como será a sequência do tratamento e o porquê deve ser feito desta maneira 1,5.

Vantagens do enceramento diagnóstico: trabalhar com um plano definido que proporciona confiança ao apresentar o planejamento ao paciente; ajuda o paciente a entender os objetivos do tratamento; ajuda os vários especialistas a visualizar quais são os objetivos do tratamento e serve como modelo de trabalho para confecção de restaurações provisórias ou para confecção de guia de silicona para a restauração na cavidade oral 1,2.

Atualmente, o desgaste dentário é uma das maiores preocupações na clínica odontológica 3,5. São casos que exigem do profissional um conhecimento integrado das várias especialidades que atuarão na devolução da saúde dentária do paciente. Para Mondelli , qualquer desgaste acentuado em jovens e adultos jovens que exija correção estética e funcional deve ser considerado patológico5. Na maioria das vezes, o desgaste dentário tem mais do que um fator etiológico envolvido e que interagem agravando o fenômeno da perda da estrutura dentária 3,5. Desgastes considerados patológicos precisam ser restaurados pois são progressivos e podem levar ao colapso da oclusão 1,5.

Apresentamos o caso clínico de um paciente do sexo masculino, 34 anos de idade, dentição praticamente hígida e sem experiência de cárie, submetido diariamente a uma carga de ansiedade em função de seu trabalho, diagnosticado com parafunção diurna e bruxismo noturno. Sua queixa principal é de instabilidade oclusal e que percebe estar tocando com muita intensidade os dentes anteriores, além de sentir que apresenta áreas cortantes como se os dentes estivessem na iminência de quebrar.

A proposta inicial foi a de se realizar o enceramento diagnóstico para a visualização da sequência clínica restauradora ideal para a oclusão do paciente. Portanto, mostraremos os modelos iniciais com a marcação das regiões onde houve perda da estrutura dentária e a obtenção do enceramento diagnóstico realizado no laboratório.

 

Figura 1 - Modelo montado no articulador, em vista inclinada, mostrando desgastes patológicos apresentados clinicamente.

 

Figura 2 - Aproximação com as marcações dos desgastes.
Figura 3 - Vista por palatino mostrando a máxima intercuspidação habitual.

Figura 4 - Vista oclusal do modelo superior onde foram feitas as
marcações indicando as áreas que sofreram perda de estrutura
dentária pela parafunção.

 

Figura 5 - Vista oclusal do modelo inferior onde foram feitas as marcações indicando as áreas que sofreram perda de estrutura
dentária pela parafunção.

 

Figura 6 - Detalhe das faces palatinas e incisais dos dentes anteriores
superiores com as marcações dos desgastes patológicos.

Figura 7 - Faces incisais dos incisivos e caninos inferiores também
com marcações das áreas que sofreram desgaste patológico.

 

Figura 8 - Vista oclusal do modelo superior após o enceramento
diagnóstico.

Figura 9 - Vista oclusal do modelo inferior após o enceramento diagnóstico.

 

Figura 10 - Vista palatina da guia anterior após o enceramento diagnóstico.
Figura 11 - Vista da guia inferior após enceramento.

Figura 12 - Vista lateral esquerda dos modelos articulados onde mostramos a reconstrução das estruturas perdidas e a intercuspidação
recuperadas pelo enceramento diagnóstico.

 

Figura 13 - Enceramento da guia anterior.

Figura 14 - Desoclusão pela guia de canino após o enceramento
diagnóstico.

 

Figura 15 - Vista inclinada mostrando a estabilidade oclusal obtida
após o enceramento diagnóstico.

 

Figura 16 - Modelos em oclusão após o enceramento diagnóstico.

 

José Paulo Faria
Cirurgião-dentista e especialista em prótese.


Adilson Francisco Velasco

Técnico em prótese dentária.

 

Referências:

1. Dawson P. Oclusão Funcional. Da ATM ao desenho do sorriso. São Paulo:Ed.Santos; 2008. p.366-77.

2. Fradeani M, Barducci G. Tratamento Protético: uma abordagem sistemática à integração estética, biológica e funcional. Vol.2. São Paulo: Quintess.Ed; 2009. p. 104-14.
3. Garone Filho W, Abreu e Silva V. Lesões não cariosas: o novo desafio da Odontologia. São Paulo: Ed. Santos; 2008 . p .3-13.
4. Magne P, Belser U. Restaurações Adesivas de Porcelana na Dentição Anterior: uma abordagem biomimética. São Paulo: Quintess.Ed; 2003 . p . 196-204.
5. Mondelli J. Estética e Cosmética em Clínica Integrada Restauradora. São Paulo: Quintess.Ed; 2003. p . 391-537.

 

 
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